Em discurso no Rio, Lula faz defesa da Amazônia e diz que quem cometeu desvios no BNDES tem que pagar

O presidente Lula ao lado do governador do Rio, Sergio Cabral, no BNDES - Marcelo Carnaval /O Globo

RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, em discurso na manhã desta segunda-feira, no Rio, uma defesa veemente da Amazônia brasileira, em resposta aos que questionam a soberania do país sobre a região.

Com a troca de ministros na pasta do Meio Ambiente essa discussão voltou à tona, com suspeitas sobre a capacidade do Brasil de manter a floresta de pé diante de projetos de desenvolvimento e do crescimento do agronegócio. No dia 18 de maio, o jornal “New York Times” publicou um artigo que foi alvo de críticas no governo, inclusive do novo ministro Carlos Minc.

- Eu queria aproveitar para dizer aqui que o mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono, e que o dono da Amazônia é o povo brasileiro. São os índios, são os seringueiros , são os pescadores e também somos nós, que somos brasileiros, e que temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, é preciso diminuir as queimadas, mas também temos consciência de que precisamos desenvolver a Amazônia.

O presidente afirmou que o protocolo de Kyoto “faliu” e que o Brasil, com a fabricação dos biocombustíveis, foi dos poucos países a cumpri-lo.

- O próprio tratado de Kioto já faliu. Foi muito bonito assinar, maravilhoso, todo mundo assinou. Agora, quem tinha que tomar medidas para cumprir o protocolo de Kioto, nem referendou. Fomos nós que referendamos. E fomos nós, com a utilização de 100% de etanol, que tiramos do ar 800 milhões de toneladas. - afirmou o presidente, na abertura do XX Forum Nacional - Um novo mundo nos trópicos, na sede do BNDES, no Centro do Rio.

No mesmo discurso, Lula defendeu a imagem dos funcionários do BNDES, em uma referência ao esquema de desvio de verbas envolvendo empréstimos do banco. O esquema envolveria empréstimos do banco a prefeituras e foi descoberto há um mês pela Polícia Federal de São Paulo.

- Em primeiro lugar, queria prestar solidariedade ao corpo de funcionários do BNDES. É bem possível que numa instituição do tamanho do BNDES você possa ter uma ou outra pessoa que cometa desvios e, portanto, tem que pagar um preço pelo desvio cometido. Mas é bem verdade também que poucos países do mundo conseguiram criar uma instituição de financiamento tão sólida como é o nosso querido BNDES - disse Lula.  Você acredita? comente aqui.